sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Como se preparar para os testes de lógica em processos seletivos

Muito comuns em processos seletivos concorridos, provas de lógica funcionam como filtros iniciais e exigem calma, foco e preparação dos candidatos

O nome indica: um teste de raciocínio lógico avalia a habilidade do indivíduo de raciocinar de maneira lógica, ou seja, que faz sentido. E fazendo isso através do uso de argumentos, premissas, declarações e afirmações que definem se algo é certo ou errado naquele contexto…
“Não se trata de fazer conta de cabeça, mas de passar por um processo lógico. Como chegar na informação? Que caminho tomar?”, resume Gustavo Nascimento, sócio-diretor da Br Talent, empresa especializada em recrutamento. É uma forma de medir a capacidade analítica do candidato – ou seja, sua capacidade de analisar problemas e propor estratégias de solução – e o tipo de raciocínio que ele adota nesse processo.  
Dessa forma, esses testes acabam aferindo, de uma forma ou de outra, um traço profissional que todas as empresas desejam: a capacidade de resolver problemas.
Gustavo explica que exames do tipo passaram a ser mais frequentes na última década e aparecem principalmente nas fases iniciais de processos com volume alto de candidatos, como concursos públicos, programas de estágio e de trainee. 
“Foi uma exigência do mercado, que queria formas de absorver seu público alvo nos processos seletivos”, explica. “Em 2005, tínhamos programa de estágio com três mil inscritos, mas com a maior inserção do brasileiro no ensino superior esse número aumentou e hoje bate na casa das 20 mil pessoas.”
raciocinio-logico
Exemplo de questão de lógica comum nos processos de trainee
A própria Fundação Estudar utiliza testes de lógica tanto na seleção da própria equipe quanto no seu programa de bolsas de estudo, em que a concorrência chega 60 mil candidatos para cerca de vinte vagas.
Esses testes também são favoritos de empresas do ramo financeiro, que costumam ser exigentes quanto aos resultados, já que os desafios diários do mundo dos investimentos demandam alta capacidade analítica. Ainda assim, tais exames são hoje empregados pelos mais diversos setores, das grandes corporações a organizações não governamentais. 
O nível de dificuldade da prova depende das características da vaga. “Um teste para um cargo de gerência será diferente de um teste para iniciantes”, esclarece Gustavo. A diferença pode aparecer até dentro de um mesmo processo seletivo: candidatos a uma vaga de engenharia podem responder perguntas mais difíceis que os outros, por exemplo.
Os processos mais concorridos costumam ter testes de lógica com níveis de dificuldade altos, e são raros os candidatos que gabaritam a prova, então não fique nervoso se acha que cometeu erros ou não sabia a prova inteira. Da mesma fora, as questões mudam de tempos em tempos, tanto para evitar que candidatos fiquem viciados na respostas como para prevenir que surjam colas e gabaritos.
E o que uma nota ruim sinaliza? “O teste é muito situacional, então se você não estiver num bom dia e apresentar um desvio grande, o recrutador normalmente vai reaplicá-lo”, tranquiliza Gustavo. Importante mesmo é não ser totalmente surpreendido.

Como se preparar 

Antes de encarar as perguntas, é bom relembrar estruturas de raciocínio lógico, como deduções (conclusão através da análise de fatos), inferências (conclusão a partir de premissas), equivalências, negações e analogias, entre outras.
Vale lembrar que alguns tipos de questões costumam ser bastante recorrentes, como as que testam o raciocínio dedutivo. Esse tipo específico de raciocínio (que faz parte do raciocínio lógico) nada mais é do que a capacidade de partir do geral para chegar ao particular, e fazer isso por meio de premissas. Para isso, precisamos avaliar o quanto uma regra geral se aplica a situações específicas. Um exemplo simples: Todo metal é dilatado pelo calor. Prata é um metal. Prata é dilatada pelo calor?
Também são comuns as questões de raciocínio indutivo, que seguem o caminho inverso: partem de uma proposição específica para generalizá-la e aplicá-la em um cenário geral. A gente te explica! Indução é quando supomos que, quando certo fato se repete várias vezes, ele pode ser considerado regra geral e se repetirá de novo. É o caso da máxima de “só existem cisnes brancos”; quem disse isso imaginou que todos os cisnes fossem brancos, pois só havia observado cisnes dessa cor. Na vida real pode não ser bem assim que as coisas funcionam, mas para os testes de lógica vale o raciocínio da indução. Veja o exemplo abaixo:
teste de logica
Exemplo de exercício de raciocínio indutivo, em que só é possível adivinhar qual será o preenchimento do quadrado mais alto se pressupormos que será seguido o mesmo padrão observado no preenchimento do restante da figura
Do lado matemático, é importante revisar conceitos básicos de geometria e intersecções de conjuntos. Também vale rever equações de primeiro grau, probabilidade, análise combinatória, progressões aritmética e geométrica, frações e porcentagens e regra de três.
Não se assuste com os nomes: são coisas que você provavelmente já sabe e esqueceu. Outra boa notícia é que não faltam fontes de estudo, como as aulas da Khan Academy e do PCI Concursos, além dos simulados gratuitos e passo a passo oferecidos por sites como QConcursos e Professor Cardy.
É vital acompanhar atentamente a resolução dos problemas, mesmo se você tiver acertado. É essa prática que lhe permitirá entender a estrutura mental por trás da conclusão – ou seja, entender o próprio raciocínio lógico – e se aprimorar cada vez mais.
O ambiente da prova também é ponto de destaque. Como um teste de raciocínio lógico exige foco e dura entre uma hora e uma hora e meia, é fundamental estar calmo, num espaço confortável e evitar interrupções. “O nível de concentração é um dos principais fatores que determinam o sucesso do candidato”, diz Gustavo.
Uma vez imerso, sempre leia tudo com atenção. Compreenda cada parte do enunciado e lembre-se que só porque a sentença é verdadeira no mundo (como “o céu é azul”) não significa necessariamente que seja a certa. Em testes de lógica, tudo depende do contexto da questão – talvez naquele momento o céu seja vermelho mesmo.
Outra dica é pesquisar a empresa em questão. Algumas aproveitam para personalizar as provas e incluir nas questões seus próprios produtos, métodos de distribuição e operações logísticas, entre outros temas, na tentativa de criar familiaridade entre candidato e companhia.
De qualquer maneira, esse conhecimento generalizado é útil para dar um passo à frente da concorrência. “Encontrar um jovem que conheça um pouco da empresa antes de entrar nela é uma das grandes dificuldades que temos hoje”, finaliza Gustavo.

Exemplos de testes de lógica

Abaixo estão três das muitas questões de raciocínio lógico disponíveis no site QConcursos. Caso pareçam difíceis, lembre-se: é possível (e recomendável) treinar seu raciocínio lógico.
Pergunta 1: Sobre equivalências“Se João estuda, então Marcela chora.” A negação dessa proposição é logicamente equivalente a:
a) Se João não estuda então Marcela não chora.
b) João não estuda ou Marcela não chora.c) João não estuda e Marcela não chora.d) João estuda e Marcela não chora.e) João estuda ou Marcela não chora.
Resposta: D. Uma negação mantém a primeira sentença (“Se João estuda”) e nega a segunda (“então Marcela chora”).
Pergunta 2: Sobre sequências lógicasOs números 2, 3, 4, 5, 8, 7, 16, 9,…, apresentam uma sequência lógica. Nessas condições, o décimo primeiro termo da sequência é:
a) 64b) 11c) 13d) 128
Resposta: A. Os números pares dobram (2, 4, 8, 16) e os ímpares somam 2 (3, 5, 7, 9).
Pergunta 3: Sobre probabilidadeUma formiga, um rato e uma cobra atravessam um deserto. Sabe-se que a probabilidade da cobra, do rato e da formiga conseguirem percorrer nesse deserto mais que 10 km são, respectivamente, 4/5, 3/5 e 3/4. Considerando os eventos independentes, a probabilidade de somente o rato conseguir percorrer mais que 10 km é:
a) 3%b) 5%c) 7%d) 9%e) 12%
Resposta: A. As chances do rato conseguir atravessar são 3/5 e as chances da cobra e da formiga não conseguirem são, respectivamente, 1/5 e 1/4. Basta multiplicar os três valores, que também podem ser expressados como 0.60 (ou 60%), 0.20 (20%) e 0.25 (25%). O resultado é 0.03, ou 3%.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Por que a Ambev não liga muito para o que você estudou

Descontente com seu curso universitário? Confira exemplos que podem ajudar quem não se vê trabalhando na área de formação

São Paulo – Bruno Morato, 22 anos, está fazendo estágio na Ambev, na área de marketing da Brahma, e estuda medicina na Universidade de São Paulo (USP). Carolina Fernandes, 34 anos, é gerente de expansão Premium na mesma empresa e se formou em hotelaria. Raphael Rizzo, 46 anos, acaba de ser promovido de gerente de cervejaria a diretor de brand experience também na Ambev, e sua área de formação é o jornalismo.
Além de trabalharem na mesma empresa há um outro ponto em comum entre essas três pessoas de diferentes gerações: o trabalho delas não tem absolutamente nada a ver com o que estudam ou estudaram na faculdade.
O mais emblemático é o caso do estagiário de marketing que faz medicina na USP. A princípio, a sua trajetória pode provocar certa estranheza. Mas basta conversar com Morato para perceber que o interesse em negócios e empreendedorismo é tão marcante em sua trajetória quanto o amor pela medicina.
Sua participação ativa na empresa júnior da faculdade de medicina da USP, aliás, foi um dos fatores que o aproximou ainda mais do mundo dos negócios, tornando possível o convite para estágio na Ambev. “Muitas pessoas não sabem mas há uma empresa júnior na área gestão de saúde dentro da faculdade de medicina da USP”, conta.
No entanto, confessa o jovem, no currículo do curso nenhuma matéria dá conta do tema. “Tive que buscar por fora, fazendo cursos, também fui conhecendo mais sobre a Fundação Estudar”, diz citando a organização sem fins lucrativos criada pelo empresário Jorge Paulo Lemann que oferece bolsas de estudo para graduação e pós-graduação e oferece treinamentos.
A falta de conhecimento acadêmico tradicional na área de negócios, portanto, não barrou sua entrada na maior cervejaria do país. Isso porque mais do que o curso de formação são as experiências de vida, valores e atitudes os aspectos de maior peso na avaliação da Ambev.  Deficiências de saber técnico são resolvidas por meio de uma ampla gama de treinamentos a que os funcionários da empresa têm acesso por meio, sobretudo, da Universidade Ambev.
“Na hora do recrutamento, levamos em conta aptidão e afinidade. O que a gente procura são pessoas que entendem o processo como se fossem donas e conseguem pensar no todo”, diz Fabíola Higashi Overrath, diretora de desenvolvimento de gente da empresa.
O sentimento de dona do negócio não falta à gerente de expansão, Carolina Fernandes. De acordo com ela, esse foi um dos principais aspectos que a colocaram em ascensão dentro da Ambev. “E também essa vontade aprender. A companhia é uma escola”, diz ela, que já passou por diversas áreas, sem que nunca a área de formação fosse uma questão limitante.
“Eu costumo falar: pode me colocar em qualquer área que vou atingir as metas”, afirma Caroline. Seu conselho de carreira? “Siga seu coração e procure uma companhia com que se identifique”, diz.
Há 20 anos na Ambev,  Raphael Rizzo, o novo diretor de brand experience, conta que se encontrou mais na companhia do que propriamente na carreira, de tão diversa que tem sido. “Hoje quando conto que sou formado em jornalismo, as pessoas até se assustam”, diz ele que já trabalhou nas áreas de marketing, trade marketing, vendas e até em gente e gestão.
A mobilidade, garante Rizzo, é oferecida a todos que se mostrarem interessados, mas não é obrigatória dentro da Ambev. “É mais você que deixa clara essa vontade do que a empresa apontar o dedo”, diz Rizzo.
Conversas sobre expectativa de carreira são comuns entre gestores e funcionários. “Existem processos formais de feedback e também informais. Na prática, essas mudanças são desenhadas em conversas entre gestor e funcionário”, diz Fabíola.
Já para os trainees são três variáveis na equação. “É um terço a vontade do trainee, um terço a vontade da área de gente e gestão e um terço a vontade do negócio, ou seja, onde está precisando de gente”, explica.
Para universitários descontentes com o curso de faculdade, esses exemplos podem ajudar a conter a ansiedade de quem não se vê trabalhando na área de formação. Cada vez mais as empresas valorizam diversidade de ideias e de experiências. “A formação diferente traz visão crítica diferente”, diz Fabíola.
Foi isso que chamou a atenção da área de gente e gestão para o currículo de Morato. “ A visão crítica que ele tem, por exemplo, de administração pública, a gente não tinha aqui dentro”, conta.
Achar que a vida profissional será restrita ao campo do conhecimento transmitido na faculdade é um erro, segundo Morato, o jovem estudante de medicina e estagiário da Ambev. “Não considere a faculdade um limitante. Por agora pode ser que consiga fazer menos, mas depois que acabar o curso você terá de volta todo o mundo de possibilidades. Vai poder fazer o que quiser”, diz ele.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Como recuperar o poder de influenciar as pessoas no trabalho?

Executivos vivem momentos de "déficit de poder", mas é preciso recuperar a credibilidade para inspirar os funcionários

Executivos frequentemente vivenciam déficits de poder para influenciar as pessoas em suas organizações. Basicamente, há três fontes de poder que precisam ser mantidas para evitar ou recuperar-se quando isso ocorre.
Você já se encontrou na frustrante posição de expressar sugestões que, por alguma razão, não são ouvidas? Você não está sozinho. Mesmo os executivos mais talentosos costumam chegar a um nível da carreira no qual se encontram sem a energia e a influência necessárias para colocar as coisas em prática. Esses déficits de poder podem acontecer com qualquer um, de pessoas com alto potencial a executivos sêniores de alto desempenho.
Executivos com déficit de poder normalmente estão com uma ou mais das seguintes “fontes de poder” em falta:
1.       Legitimidade: a falta de legitimidade com seu chefe ou colegas pode fazer com que seja mais difícil se fazer escutar, e isso normalmente tem como origem as percepções desfavoráveis que podem, infelizmente, se tornar autorrealizáveis.
2.       Recursos: executivos com déficit de poder dificilmente irão conseguir recursos essenciais como os melhores talentos, tarefas ou territórios de vendas. Eles também podem receber orçamentos menores e cada vez menos autoridade para a tomada de decisões.
3.       Network: mesmo que executivos não sofram com a falta de uma das fontes acima, eles podem estar vulneráveis, a não ser que tenham construído uma forte rede de contatos, própria e independente das de seus chefes.
Essas três fontes de poder interagem-se constantemente, o que significa que a ausência de uma pode levar a falha nas outras duas.  Felizmente, esses déficits são reversíveis.
Em um período de dois anos, nós estudamos 179 participantes do Programa para Desenvolvimento de Executivos do IMD. Isso foi feito por meio de entrevistas, assim como ensaios escritos pelos participantes, por meio do qual buscamos identificar os tipos de situações nas quais foi sentida a falta de capacidade para efetuar mudanças significativas. Por meio de uma análise dessas descobertas, desenvolvemos uma estrutura conceitual.

Recuperando o poder

Primeiramente, executivos precisam entender quais fontes de poder estão em falta. Então, seja ao “jogar o jogo” de forma mais eficiente ou “muda-lo”, eles podem começar a tentar reverter seus déficits de poder. Nós definimos essas duas estratégias como “o que você faz no trabalho” e “o que você faz com o trabalho”, respectivamente.
Por exemplo, se o problema é a falta de legitimidade, tente alinhar-se mais com as expectativas de seu chefe, e garanta que ele/ela notem seus esforços (i.e. jogar o jogo). A outra opção, que exige mais confiança, poderia ser redefinir a descrição de seu trabalho para que você fique em uma posição melhor para destacar-se (i.e. mudar o jogo).
Se o problema é uma falta de recursos, tente transformar-se em um recurso (mudar o jogo). Obtenha conhecimentos especiais para adquirir mais estatura e segurança dentro de sua organização. Por outro lado, você pode preferir buscar oportunidades para ajudar executivos sêniores e outras pessoas com poder, o que pode ajuda-las a ver você como um aliado valioso (jogar o jogo).
Se a sua preocupação é uma falha em seu network, tente conectar-se com pessoas sêniores fora de sua linha direta de autoridade (jogar o jogo); isso pode dar uma visão pessoal dos escalões superiores de sua organização, e eles podem até mesmo atestar seu caráter, desempenho e conquistas. Em vez disso, você poderia tentar agir como um link com outras redes (mudar o jogo).
Em última análise, no entanto, os executivos devem evitar a inclinação de focar em uma única base de poder; todas as três fontes terão que ser atendidas para realmente eliminar-se um déficit de poder.
Cyril Bouquet é professor de estratégia e Jean-Louis Barsoux é pesquisador sênior na escola de negócios suíça IMD.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Se um profissional é preso, ele perde o emprego?

Prisão rende obrigatoriamente demissão por justa causa? Advogado especialista em direito trabalhistas responde

A condenação criminal, com cumprimento de pena privativa de liberdade, é uma das causas de rescisão do contrato de trabalho por justa causa, conforme art. 482, “d”, da CLT. Ou seja, o empregado que for considerado culpado em processo criminal, já com todos os recursos esgotados, poderá ser dispensado por justa causa.
Se o empregador optar por rescindir o contrato dessa forma, deverá quitar todas as verbas trabalhistas, sem exceção. Como o empregado não poderá comparecer, pois estará preso, o mais seguro é realizar o depósito das verbas a fim de evitar multas por pagamento das verbas rescisórias fora do prazo legal.
É importante destacar que a demissão por justa causa é o recurso mais extremo e, portanto, precisa ter fundamento. Em nenhum momento o empregador pode dispensar o empregado preso por abandono de emprego, por exemplo. A justa causa deve estar fundamentada no motivo correto, caso contrário, poderá ser considerada nula.
Existem outras possibilidades que surgem nesse cenário de prisão do empregado. É possível que o empregador opte por manter o contrato de trabalho apenas suspenso, ou ainda que haja dispensa sem justa causa, antes do trânsito em julgado da sentença criminal.
De toda maneira o contrato de trabalho fica suspenso automaticamente desde a prisão, estando o empregador isento de proceder ao pagamento de salários. Da mesma forma, outros reflexos da prestação de trabalho não produzirão mais efeitos, tais como férias, 13º e recolhimento ao FGTS. O contrato poderá ser retomado, sem prejuízo, quando o empregado estiver em liberdade.
Marcelo Mascaro Nascimento é sócio do escritório Mascaro Nascimento Advocacia Trabalhista e também diretor do Núcleo Mascaro.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

As 20 profissões que tiveram maior aumento de salário neste ano

Levantamento mostrou que algumas carreiras registraram valorizações salariais expressivas no Brasil apesar da crise econômica

São Paulo – Com todos os problemas econômicos e políticos do Brasil em 2016, o mercado de trabalho viveu um ano muito difícil.
A taxa de desemprego no país, que começou o ano em 9,5% segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) do IBGE, encerrou o trimestre até outubro em 11,8% e mantém a tendência de alta.
A crise também afeta os salários dos brasileiros, que desde o começo do ano enfrentam dificuldades em negociar reajustes que superem as taxas de inflação oficial.
Mesmo com o cenário negativo, algumas carreiras ganharam destaque em 2016 com relação ao crescimento salarial médio dos trabalhadores.
Um levantamento realizado pelo coordenador do projeto Salariômetro da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Hélio Zylberstajn, a pedido de EXAME.com, mostrou quais foram as carreiras com maiores porcentagens de crescimento salarial durante o ano.
A pesquisa utilizou como base apenas as profissões que firmaram mais de 5 mil contratações formais ao longo dos dez primeiros meses do ano e refere-se a salários iniciais estipulados no contratos de trabalho.
O levantamento surpreendeu pelo desempenho de algumas profissões do setor de saúde e também de serviços.
Profissões como agentes de saúde (27,8%), técnicos de enfermagem (9,1%), auxiliares de farmácia de manipulação (9,0%) e de laboratórios de análises clínicas (8,8%) apresentaram taxas de valorização salarial altas entre janeiro e outubro de 2016.
Na área de serviços,  manicures viram salários médios subirem 12%.
Para o professor coordenador do Salariômetro, essa alta nos salários dos profissionais de saúde é um reflexo das necessidades básicas do brasileiro que não mudam mesmo em tempos de crise econômica.
Segundo Zylberstajn, a demanda por médicos, enfermeiros e por profissionais de laboratórios clínicos não diminui, o que contribui em parte para a valorização do salário dessas carreiras.
Confira abaixo as 20 carreiras que registraram as maiores valorizações salariais em 2016:

1. Agente Comunitário de Saúde

ProfissãoAgente Comunitário de Saúde
Salário médio de admissão em janeiro de 2016R$ 1.054,21
Salário médio de admissão em outubro de 2016R$ 1.347,29
Variação entre janeiro e outubro de 201627,8%

2. Ajustador Mecânico

ProfissãoAjustador Mecânico
Salário médio de admissão em janeiro de 2016R$ 1.201,94
Salário médio de admissão em outubro de 2016R$ 1.482,64
Variação entre janeiro e outubro de 201623,4%

3. Professor de Nível Superior na Educação Infantil

ProfissãoProfessor de Nível Superior na Educação Infantil
Salário médio de admissão em janeiro de 2016R$ 1.539,90
Salário médio de admissão em outubro de 2016R$ 1.899,00
Variação entre janeiro e outubro de 201623,3%

4. Mecânico de Manutenção de Máquinas

ProfissãoMecânico de Manutenção de Máquinas
Salário médio de admissão em janeiro de 2016R$ 1.449,40
Salário médio de admissão em outubro de 2016R$ 1.687,40
Variação entre janeiro e outubro de 201616,4%

5. Atendente Comercial

ProfissãoAtendente Comercial
Salário médio de admissão em janeiro de 2016R$ 948,50
Salário médio de admissão em outubro de 2016R$ 1.081,90
Variação entre janeiro e outubro de 201614,1%

6. Eletricista de Instalações de Edifícios

ProfissãoEletricista de Instalações de Edifícios
Salário médio de admissão em janeiro de 2016R$ 1.457,60
Salário médio de admissão em outubro de 2016R$ 1.658,50
Variação entre janeiro e outubro de 201613,8%

7. Topógrafo

Topógrafo
ProfissãoTopógrafo
Salário médio de admissão em janeiro de 2016R$ 1.853,20
Salário médio de admissão em outubro de 2016R$ 2.093,70
Variação entre janeiro e outubro de 201613,0%

8. Pintor de Estruturas Metálicas

Pintor de estruturas metálicas
ProfissãoPintor de Estruturas Metálicas
Salário médio de admissão em janeiro de 2016R$ 1.564,80
Salário médio de admissão em outubro de 2016R$ 1.765,00
Variação entre janeiro e outubro de 201612,8%

9. Auxiliar de Cartório

Mulheres trabalhando em cartório no Macapá, Amapá
ProfissãoAuxiliar de Cartório
Salário médio de admissão em janeiro de 2016R$ 1.145,70
Salário médio de admissão em outubro de 2016R$ 1.291,30
Variação entre janeiro e outubro de 201612,7%

10. Leiturista

Leiturista
ProfissãoLeiturista
Salário médio de admissão em janeiro de 2016R$ 1.103,30
Salário médio de admissão em outubro de 2016R$ 1.239,30
Variação entre janeiro e outubro de 201612,3%

11. Manicure

ProfissãoManicure
Salário médio de admissão em janeiro de 2016R$ 948,40
Salário médio de admissão em outubro de 2016R$ 1.062,30
Variação entre janeiro e outubro de 201612,0%

12. Bombeiro Civil

2. Bombeiros
ProfissãoBombeiro Civil
Salário médio de admissão em janeiro de 2016R$ 1.408,20
Salário médio de admissão em outubro de 2016R$ 1.576,60
Variação entre janeiro e outubro de 201612,0%

13. Eletricista de Manutenção Eletroeletrônica

ProfissãoEletricista de Manutenção Eletroeletrônica
Salário médio de admissão em janeiro de 2016R$ 1.597,30
Salário médio de admissão em outubro de 2016R$ 1.775,60
Variação entre janeiro e outubro de 201611,2%

14. Professores de Cursos Livres

ProfissãoProfessores de Cursos Livres
Salário médio de admissão em janeiro de 2016R$ 1.187,00
Salário médio de admissão em outubro de 2016R$ 1.319,40
Variação entre janeiro e outubro de 201611,1%

15. Analista de Recursos Humanos

7. Gerente de recursos humanos
ProfissãoAnalista de Recursos Humanos
Salário médio de admissão em janeiro de 2016R$ 2.669,50
Salário médio de admissão em outubro de 2016R$ 2.960,90
Variação entre janeiro e outubro de 201610,9%

16. Motorista de Ônibus Rodoviário

Motorista de ônibus rodoviário
ProfissãoMotorista de Ônibus Rodoviário
Salário médio de admissão em janeiro de 2016R$ 1.690,40
Salário médio de admissão em outubro de 2016R$ 1.873,30
Variação entre janeiro e outubro de 201610,8%

17. Pedreiro de Edificações

Pedreiros trabalhando em obra de prédio
ProfissãoPedreiro de Edificações
Salário médio de admissão em janeiro de 2016R$ 1.407,10
Salário médio de admissão em outubro de 2016R$ 1.555,00
Variação entre janeiro e outubro de 201610,5%

18. Gerente de Marketing

Gerente geral de marketing e vendas
ProfissãoGerente de Marketing
Salário médio de admissão em janeiro de 2016R$ 5.632,70
Salário médio de admissão em outubro de 2016R$ 6.216,10
Variação entre janeiro e outubro de 201610,4%

19. Instalador-Reparador de Linhas e Aparelhos de Telecomunicações

Mecânico de instalações telefônicas
ProfissãoInstalador-Reparador de Linhas e Aparelhos de Telecomunicações
Salário médio de admissão em janeiro de 2016R$ 1.126,40
Salário médio de admissão em outubro de 2016R$ 1.242,10
Variação entre janeiro e outubro de 201610,3%

20. Técnico em Patologia Clínica

Cientista trabalha com biotecnologia em um laboratório
ProfissãoTécnico em Patologia Clínica
Salário médio de admissão em janeiro de 2016R$ 1.433,70
Salário médio de admissão em outubro de 2016R$ 1.578,10
Variação entre janeiro e outubro de 201610,1%