quinta-feira, 30 de junho de 2016

Mudanças no comportamento ajudam a passar da dívida para o investimento

"Gastar menos" é uma solução óbvia para quem quer se livrar das dívidas, mas o desafio vai além disso. Veja 10 dicas de especialistas em finanças pessoais

Por Anna Carolina Rodrigues
SÃO PAULO -- O final de ano é uma hora feliz, de celebração, mas que pode significar aumento das dívidas para os compradores impulsivos e muita dor de cabeça no ano que vem. Ter controle sobre o próprio dinheiro funciona como dieta e controle da saúde: exige mudanças de comportamento. Conversamos com especialistas em planejamento financeiro e finanças pessoais para saber quais as melhores práticas comportamentais e mudanças de atitude que as pessoas que querem passar da dívida para o investimento devem seguir e quem vão além do "gastar menos". Se não for possível começar o próximo ano no azul, ao menos pense em terminá-lo dessa forma. Já pensou em não ter de usar o 13º salário para quitar dívidas? Veja as recomendações a seguir:

1.Não gaste mais do que ganha
A dica parece óbvia, mas tem muita gente que não a segue, principalmente por superestimar os ganhos e subestimar os gastos. Sua renda é o seu salário menos os descontos (vale-transporte, plano de saúde, INSS, Imposto de Renda, dentre outros)

2.Cuidado com as despesas fixas
É preciso  ter atenção com os pequenos gastos, que muitas vezes acabam passando despercebidos no orçamento, mas as despesas fixas são as que têm um peso maior. Especialistas recomendam que o valor delas não seja maior do que o equivalente a 50% da renda.

3.Evite compras por impulso
É preciso ter atenção e força de vontade em relação a promoções e ofertas que parecem imperdíveis. Pondere se o gasto realmente vale à pena e é realmente necessária no momento. A resposta provavelmente será não. 

4.Congele ferramentas de crédito 
Muita gente não tem noção do que é taxa de juros e em vez de ver o valor total de uma dívida de cartão de crédito, olha apenas o valor as parcelas mínimas. Não use o cheque especial como complemento do salário. Ambas as atitudes são erradas, pois podem fazer com que a dívida aumente de maneira bizarra em pouco tempo. Cartões de crédito, cheque especial, cartão de lojas e outras ferramentas de crédito fácil devem ser prioritariamente esquecidas de sua vida; evite mesmo em caso de emergência, pois, caso não consiga pagar esses valores, os juros serão exorbitantes, criando um caminho de difícil volta.

5.Faça uma faxina financeira 
Pergunte-se o que realmente é prioridade para a sua vida? Pense muito bem nessa questão, pois chegou a hora de cortar muitos gastos que não agregam à vida. Gastos que devem ser repensados são TV a cabo, celulares e smartphones, baladas e ida a restaurantes, água e energia e outros pequenos gastos. Priorize o que é realmente é fundamental nesse período.

6.Adapte o padrão de vida
Se o valor das despesas fixas passam sempre dessa recomendação, é preciso reavaliar os gastos e se readequar ao padrão de vida. Um gasto que costuma ser alto é a alimentação fora de casa. Levar comida de cada para o trabalho pode gerar uma economia significativa. Mas isso não significa nunca mais comer fora de casa, mas em vez de comer todo dia, comer menos vezes na semana. 

7.Seja paciente e persistente
Acredita-se que três meses seguindo os passos do quadro da pág. XX e mantendo o controle dos gastos, será possível ter noção de como se gasta o dinheiro e até começar a juntar parte da renda para investir. Claro que esse tempo pode variar de acordo com a dimensão da dívida de cada um. 

8.Proteja-se
A primeira coisa a se fazer com o dinheiro que começa a sobrar é criar uma reserva para possíveis emergências com um acidente ou uma demissão. Segundo o Serasa, 48,2% dos brasileiros que procuraram a empresa admitiram terem ficado com o nome sujo após perderem seus empregos. O valor economizado deve ser suficiente para se manter por no mínimo 6 meses. Para isso, deve-se buscar investimentos de baixo risco e alta liquidez, como poupança, tesouro direto,fundos DI, CDB e renda fixa. Em seguida, crie um plano de aposentadoria, investindo num plano de previdência, por exemplo, ou em um título do tesouro direto de longo prazo e até imóveis.

9.Não confunda ter dinheiro com ostentação
Muitos associam riqueza a gastos excessivos. Rica é a pessoa que tem muito dinheiro e não a que gasta muito. Procure consumir de maneira coerente com o seu padrão de renda para não gastar em excesso e conseguir acumular renda. Quando o consumo é feito de forma pensada, com o que faz sentido para o seu perfil e que traga retorno, é possível fazer o dinheiro render mais.

10.Tenha bom senso
Existem diversas tendências para garantir uma vida financeira saudável, mas é importante fazer uma reflexão e buscar auto-conhecimento para encontrar o caminho, estratégia e investimentos que façam mais sentido para você. 

Fontes: Fabio Sousa, sócio-diretor da FTN Consultoria e autor do livro “Como Passar de Devedor Para Investidor - Um Guia de Finanças Pessoais”, Cengage Learning, 28,90 reais), Thiago Alvarez, CEO do GuiaBolso, planejador financeiro Valter Police Jr. 

>>Esta matéria é um complemento da edição 210 da Você S/A, publicada em dezembro de 2015. Leia também a edição especial da Você S/A "Organize Suas Contas", já nas bancas

quarta-feira, 29 de junho de 2016

11 hábitos das pessoas de muito sucesso para você adotar ainda esse ano

Segundo o planejador financeiro Thomas Corley, pessoas abastadas têm hábitos diferentes das que têm poucos recursos. Saiba que comportamentos são esses e como adotá-los para engordar sua conta bancária

Por Mariana Amaro

>>Esta matéria foi publicada originalmente na edição especial Organize sua contas da revista Você S/A, em Dezembro de 2014 e pode conter informações desatualizadas


SÃO PAULO - Se você está lendo esta reportagem, parabéns! Quem pratica o hábito da leitura já tem ao menos algo em comum com pessoas que ganham mais de 160 000 dólares por ano. E, quanto mais você cultiva hábitos parecidos com os desse grupo, mais perto pode ficar de construir a própria fortuna. Essa foi a conclusão de Thomas Corley, planejador financeiro americano que, depois de receber de madrugada um cliente à beira da falência, resolveu estudar os hábitos de ricos e pobres, o que resultou no livro Rich Habits - The Daily Success Habits of Wealthy Individuals ("Hábitos de rico: os hábitos diários de sucesso dos indivíduos afortunados", em tradução livre).

Durante mais de dois anos, Thomas Corley entrevistou e monitorou 233 pessoas com fortuna líquida de pelo menos 3,2 milhões de dólares. Entre os participantes da pesquisa, 85% eram ricos de primeira geração - ou seja, fizeram fortuna por esforço próprio. Depois, o mesmo trabalho foi feito com 128 pessoas que recebiam menos de 35 000 dólares anuais, renda considerada baixa para o estilo de vida americano. Após comparar o grupo de pessoas com conta no azul com aquelas no vermelho, Corley percebeu várias diferenças de comportamento. O que mais chamou sua atenção foi que os desvios ocorriam em atitudes rotineiras, que dependem de disposição pessoal para ser modificadas. "Há comportamentos que podem fa­zê-lo melhorar como pessoa e profissional", disse Corley à VOCÊ S/A. Veja como adquirir costumes positivos para sua conta bancária.

1 - Estabeleça metas, não sonhos

O que significa - Ganhar 1 milhão de reais na loteria não é uma meta, é um sonho. Os ricos de primeira geração entrevistados por Thomas Corley chegaram lá com muito esforço. "Meta é algo que pode ser alcançado por meio de ações práticas e prazos para cumpri-las", diz Corley.

Como praticar - Para transformar um sonho em meta, defina objetivos menores, que devem ser alcançados em curtos intervalos de tempo. Escreva esse plano. Crie uma estratégia para concluir cada uma das etapas que, uma vez cumpridas, farão com que você atinja o objetivo principal.

2 - Encare os problemas

O que significa - Os ricos concluem pelo menos 70% da lista diária de tarefas. Adiar é um mau costume, mais frequente entre pessoas de baixa renda, segundo Corley. "Pessoas que enriqueceram sozinhas encaram os problemas", diz Álvaro Modernell, especialista em educação financeira.

Como praticar - Para começar, acorde cedo: 44% dos endinheirados despertam 3 horas antes de ir para o trabalho. "É nesse período que leem, fazem exercícios e planejam as tarefas do dia", diz Corley. Tenha pressa para encontrar soluções.

3 - Faça contatos

O que significa - Nove em cada dez ricos creem que relacionamentos estão na base do sucesso financeiro. Isso contraria a crença de que dinheiro atrai interesseiros. "Não existe nada de errado em cultivar amizades para fazer negócios, desde que o resultado seja bom para ambos", diz o consultor financeiro Mauro Calil.

Como praticar - Ofereça ajuda e seja gentil. Demonstre interesse genuíno em contribuir. "É importante lembrar-se dos relacionamentos nos bons e nos maus momentos", diz Álvaro. "Se você só procurar as pessoas quando tiver problemas, elas vão parar de atendê-lo."

4 - Fale menos, ouça mais

O que significa - Ser um bom ouvinte é importante para mostrar que você é confiável. Evite fofocas, um hábito que afasta dinheiro. "Falar mal de alguém compromete sua credibilidade diante de uma pessoa com quem você pode fazer negócios", diz Corley.

Como praticar - Quando uma pessoa chegar falando mal de outras, saiba que ela poderá fazer o mesmo em relação a você. "Afaste-se dessa pessoa", diz Corley. "Evitar participar de fofocas é um comportamento que mantém as portas abertas."

Thomas Corley, autor do livro Rich Habits - The Daily Success Habits of Wealthy Individuals (Divulgação)

5 - Leia e estude

O que significa - Ricos passam, em média, menos de 1 hora diante da televisão e, quando o fazem, estão assistindo a telejornais, filmes ou documentários. Eles também têm o hábito de ler revistas, jornais e livros. Enquanto a leitura diária é comum para 88% dos endinheirados, apenas 2% dos pobres fazem o mesmo.

Como praticar - "Não existe problema nenhum em acompanhar uma novela ou um seriado, mas escolha alguns", diz Mauro. Tente também colocar a leitura de um jornal, uma revista ou um livro em sua rotina. É importante ler conteúdo de qualidade. Portanto, busque livros e revistas que desenvolvam postura crítica, tenham bom repertório e coloquem o leitor em contato com diferentes visões e experiências.

6 - Cuide de sua saúde

O que significa - Os ricos costumam praticar exercícios diariamente e alimentam-se corretamente. Mais: 85% deles acreditam que saúde física e financeira estão relacionadas, enquanto apenas 13% dos pobres creem nisso. "Um de meus entrevistados disse que não poderá fazer dinheiro se estiver em um hospital", diz Corley.

Como praticar - Faça pelo menos uma atividade física três vezes por semana. "Nos primeiros dias é difícil, mas, se você tiver disciplina, estará acostumado depois de dois meses. Quando não der tempo de se exercitar, sentirá falta", diz Corley. Para ficar saudável é importante também cortar os hábitos alimentares ruins.

7 - Assuma riscos

O que significa - Para 63% dos ricos existe uma relação entre ganhar dinheiro e correr riscos - entre os mais pobres, apenas 6% concordam com a afirmação. Dos que fizeram fortuna, 27% admitem que já fracassaram pelo menos uma vez na vida, no trabalho ou nos negócios, ante 2% dos pobres. "Os erros trazem aprendizado", diz Corley.

Como praticar - Oferecer-se para tocar projetos e assumir responsabilidades, expressar seu ponto de vista em reuniões, expondo-se à avaliação da chefia, e tomar a iniciativa de resolver problemas que aparecem no dia a dia sem esperar pelo gestor são formas de assumir riscos. "Para chegar ao topo, todo mundo passou por fracassos - a diferença é como lidaram com eles", diz Corley.


8 - Seja otimista

O que significa - "As pessoas bem-sucedidas encaram problemas como oportunidades e acreditam na ideia de potencial ilimitado, de que poderão ser o que quiserem se trabalharem para isso", diz Corley, destacando que ser otimista não é ser ingênuo.

Como praticar - Evite reclamar em excesso e lute contra o desânimo. "Quando um problema surgir, tente enxergá-lo de vários ângulos e foque a busca da solução em vez de reclamar que o mundo é injusto", diz Álvaro.

9 - Adote o hábito de poupar

O que significa - "Os ricos são avessos a excessos, seja de bebida e comida, seja de trabalho e de gastos. Eles economizam de 10% a 20% dos ganhos mensais", diz Corley. Guardar dinheiro é muito importante para 88% dos ricos, ante 52% dos pobres.

Como praticar - Não gaste mais do que 80% de sua receita, incluindo nesse total despesas com férias, lazer e compras. Além de gastar menos, procure aumentar sua renda. "Equilibre o presente com o futuro. É importante guardar para a aposentadoria, mas é fundamental viver o presente também", diz Álvaro.

10 - Seja dono de seu destino

O que significa - Apenas 10% dos ricos acreditam em destino, enquanto 90% dos pobres creem que a vida é como é porque foi assim determinada. "É mais fácil colocar a culpa na genética ou no governo, mas a verdade é que você é responsável por sua situação financeira", afirma Corley. "A maior parte dos ricos que entrevistei não nasceu rica, mas acreditava que podia conquistar o que quisesse pelo esforço", diz o planejador financeiro.

Como praticar - Defina objetivos e trace metas para alcançá-los. "É melhor gastar sua energia lutando para superar um obstáculo do que reclamando", diz Álvaro.

11 - Planeje para ser mais criativo

O que significa - Enquanto 75% dos ricos consideram a criatividade determinante para o sucesso financeiro, apenas 11% dos pobres têm a mesma convicção. "Os pobres tendem a acreditar que os bem-sucedidos já nasceram intelectualmente bem-dotados, mas minhas estatísticas mostram que muitos dos ricos foram alunos apenas medianos", diz Corley. "No Brasil, também existe a crença no cara que tem o dom e resolve tudo sozinho", diz Mauro.

Como praticar - O que poucos levam em conta é que a criatividade é resultado do esforço e da energia dedicada a analisar um problema por diversos ângulos antes de executar uma tarefa com o objetivo de encontrar uma solução nova. Exercite essa habilidade estudando sua atividade e ouvindo outras opiniões antes de começar a agir.

Thomas Corley: livro lista as atitudes de pessoas abastadas que merecem ser seguidas para uma boa saúde financeira

terça-feira, 28 de junho de 2016

Use alguns benefícios que você já paga - e nem sabe

Existem alguns benefícios embutidos em produtos pelos quais você já paga. Veja como aproveitá-los e parar de perder dinheiro

Por Mariana Amaro
>>Esta matéria foi publicada originalmente na edição 200 da revista Você S/A, em fevereiro de 2015 e pode conter informações desatualizadas


SÃO PAULO - A melhor forma de ganhar dinheiro é parando de perder. Consertar o fogão, chamar um chaveiro à noite ou contratar um seguro-viagem para as férias são gastos imprevistos que corroem aos poucos o orçamento.

Muita gente esquece, mas tem direito à prestação gratuita desses serviços, já incluída em outros produtos pelos quais paga regularmente — seguros, planos de celular e TV a cabo e cartões de crédito. Um exemplo é o seguro-viagem, obrigatório para quem viaja para qualquer país da União Europeia.

Ele custa em torno de 500 reais para uma família de quatro pessoas durante uma semana no exterior. Embora muita gente pague sem questionar, o seguro-viagem é concedido gratuitamente por algumas operadoras a quem compra a passagem aérea com o cartão de crédito. Como 76% dos brasileiros usam esse meio de pagamento, há muita gente gastando à toa.

O mesmo vale para o conserto de eletrodomésticos. A maioria das empresas de seguro residencial, automotivo ou até seguro-fiança — cobrado de quem aluga um imóvel sem fiador — cobre o custo desses reparos. Relembre outros serviços gratuitos a que tem direito e pare de jogar dinheiro fora. 

Saiba como usufruir de benefícios pelos quais você já está pagando.

Chaveiro, eletricista e encanador

Como funciona? Os serviços precisam ser agendados e solicitados via seguradora. 

Quem tem direito? Clientes de fiança de aluguel e seguros residencial e automotivo.

Vale a pena usar? Sim, porque esses serviços já estão incluídos em despesas que são obrigatórias. 

Seguro-viagem

Como funciona?  Depois de realizar a compra de passagens aéreas com cartões de crédito, basta solicitar o seguro à operadora. 

Quem tem direito? Clientes de cartões de crédito internacionais ou platinum. 

Vale a pena usar? Sim, porque, com o benefício, cada passageiro poderá deixar de gastar cerca de 200 reais. Uma baita economia.

Assistente pessoal

Como funciona? O serviço de concierge ajuda a resolver pequenos problemas, como comprar ingressos para um show, reservar hotéis ou 

restaurantes, fazer compras em supermercado pela internet ou a cotação de preços de passagens aéreas.

Quem tem direito? Compradores de carros de alguns fabricantes e clientes de certos cartões de crédito e planos pós-pagos de celular.

Vale a pena usar? Depende. Se o seu cartão de crédito não prevê o benefício, não vale a pena elevar a anuidade para cerca de 300 reais ou contratar um plano de telefonia mais caro. 

Reparos em eletrodomésticos

Como funciona? O funcionário terceirizado pela seguradora comparece no dia e no horário agendados pelo cliente e cobra apenas o valor adicional das peças que precisam ser substituídas. 

Quem tem direito? Clientes de seguro residencial. 

Vale a pena usar? Sim, porque o benefício já está incluído e permite economizar com serviços que custam de 100 a 200 reais.

Desconto no estacionamento

Como funciona? O proprietário do veículo recebe de 10% a 50% de desconto no estacionamento de algumas redes.

Quem tem direito? Clientes de alguns seguros de carro. Basta verificar no site da seguradora quais são as redes de estacionamento credenciadas. 

Vale a pena usar? Sim, porque já está incluído, sem a cobrança de taxas extras.

Desconto no táxi

Como funciona? Alguns aplicativos de pedido de táxi, como 99Taxis e EasyTaxi, fizeram acordos com operadoras de cartão de crédito para oferecer descontos. 

Quem tem direito? Os clientes que fizerem o pagamento da corrida por meio desses aplicativos - e não diretamente ao taxista - usando o cartão.

Vale a pena usar? Sim, o desconto pode chegar a 30 reais.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Saiba quais são as armadilhas do marketing para fazer você gastar mais

Conheça as estratégias usadas por profissionais de marketing para induzir o consumidor a comprar mais e tente não se deixar levar por elas

Por Mariana Amaro


>>Esta matéria foi publicada originalmente na edição especial Organize sua contas da revista Você S/A, em Dezembro de 2014 e pode conter informações desatualizadas


SÃO PAULO - Você pode não perceber, mas, quando entra em uma loja, shopping ou restaurante, tudo ali pode estar armado para fazê-lo gastar mais. A logomarca vermelha de uma unidade que vende fast-food (cor que estimula o apetite) e a iluminação indireta nas cabines de prova de roupas íntimas (para esconder imperfeições) são exemplos de táticas de neuromarketing, a análise da atividade cerebral dos consumidores. Empresas adotam esse expediente para entender as relações entre emoções e produtos, e também para manipular o inconsciente de quem compra e fazer com que abra a carteira satisfeito. 

Alguns dos estudos incluem análise de ressonância magnética e tecnologia de rastreamento de movimentos oculares para saber, por exemplo, em qual posição no cardápio devem estar os pratos mais caros do restaurante. "Existem áreas ligadas à publicidade e propaganda que trabalham apenas para pensar qual é a melhor atmosfera para fazer o consumidor gastar mais", diz Karen Perrotta Lopes, professora de marketing da Universidade Mackenzie.

Segundo estimativas, uma pessoa que vive em um grande centro urbano é bombardeada com mais de 6 000 mensagens publicitárias por dia. Calcula-se, também, que as empresas gastem por ano mais de 45 bilhões de reais em neuromarketing no Brasil. "Estamos perdidos", diz Heloisa Omine, professora da ESPM, especialista em estratégia, branding e visual marketing. "Só nos resta abrir os olhos e tentar evitar as armadilhas."

Uma forma de se salvar é fugir das compras em momentos de tristeza ou raiva, segundo a psicanalista Marcia Tolotti, autora do livro As Armadilhas do Consumo. "Esses dois sentimentos provocam uma falha em nosso julgamento. Ficamos ainda mais suscetíveis a cair nesses truques quando nos sentimos assim", diz Marcia. Confira, a seguir, algumas das artimanhas mais comuns e tente escapar delas.

Contando as moedas
"Nossa tendência é arredondar valores para menos", diz Heloisa Omine. Quando o preço de um produto é 149,99 reais, por exemplo, a impressão que fica é de que o custo desse objeto está mais próximo de 100 reais do que de 150. "Isso acontece porque nosso cérebro tende a considerar apenas a centena, e nos lembramos mais do primeiro número que enxergamos à esquerda", diz ela. O cliente descarta os outros dígitos e acredita que está gastando menos.

Parcelas que parecem baixas
Uma tática do varejo muito conhecida é colocar em destaque o valor da parcela no lugar do preço total do produto. "Normalmente, quando lemos que algum produto é parcelado em 12 vezes, não interpretamos aquilo como um pagamento que vai se estender por um ano. Entendemos apenas que aquela parcela cabe em nosso bolso", diz Karen Perrotta Lopes.

Perfume único
Lojas desenvolvem aromas que combinam com suas marcas e permitem que o consumidor se identifique com os produtos pelo olfato. A grife Hugo Boss, por exemplo, passou dois meses testando perfumes até decidir qual usar em suas lojas. Hoje transformou o perfume da loja em produto para venda. Pesquisas mostram que o odor do ambiente pode surtir efeito positivo ou negativo na percepção da qualidade dos produtos e que o aroma também influencia o tempo que o consumidor fica na loja e até a possibilidade de ele voltar.

Omissão das cifras
Segundo um estudo da Universidade Cornell, os restaurantes que excluem as cifras do menu vendem mais. Isso acontece porque o consumidor fica mais alerta quando nota o símbolo. O mesmo mecanismo funciona em etiquetas de roupas. "Quando perguntamos o preço de uma blusa e a vendedora responde "dois, sete, nove", em vez de `duzentos e setenta e nove¿, ela está usando um truque. A primeira forma não soa tão agressiva e um comprador, por impulso, pode acabar adquirindo o produto sem perceber quanto está gastando de fato", afirma Heloisa.

Menu apelativo
De acordo com um estudo da Universidade de Illinois, cardápios com descrição romanceada dos pratos, com palavras como "textura", "suave" e "delicado", vendem 27% mais do que menus comuns. "Nomes que remetam à família, como `picadinho da vovó¿, também têm apelo emocional, mesmo que o cliente saiba que não será igual ao sabor de sua infância", diz Karen.

Parece pechincha
Restaurantes e lojas usam artigos caros para direcionar o cliente para os mais baratos. "A ideia não é fazer o consumidor comprar o mais caro, mas induzi-lo a pensar que encontrou uma grande barganha ao levar o mais barato", diz Heloisa.

Olho na disposição
Segundo um estudo feito em Seul e publicado no Jornal de Tecnologia e Negócios Globais, um terço dos clientes é propenso a aceitar a sugestão do primeiro item para o qual sua atenção foi direcionada ao abrir o menu. Por isso, da próxima vez que abrir um cardápio, repare se os itens mais rentáveis estão no canto superior direito. "É lá que os olhos focam primeiro", diz Heloisa.

Luz na medida
A iluminação nos provadores também influencia a decisão de compra dos clientes. Mas varia segundo o tipo de compra e a região. "As cariocas, por exemplo, quando vão comprar biquínis, querem provadores muito bem iluminados, para saber exatamente como ficarão na praia. Já as mulheres que compram lingerie em lojas caras e sofisticadas tendem a comprar mais quando a iluminação é indireta e a cliente enxerga menos detalhes de seu corpo", afirma Heloisa.

Foco no produto
As lojas de informática costumam ter pé-direito baixo para que os consumidores se concentrem nos detalhes dos produtos. Alguns deles, geralmente os mais caros, são colocados em áreas nobres para dar a ideia de que são mais inovadores. "Normalmente, a diferença é que a margem de lucro dos revendedores é maior", diz Heloisa.

Incentivo ao teste
Consumidores pagam até 50% a mais por bens se puderem tocá-los ou experimentá-los, segundo o Instituto de Tecnologia da Califórnia. "É por isso que lojas de cosméticos tiveram de se redesenhar e colocar os produtos à disposição dos clientes", diz Heloisa.

Aproveite agora!
Agências de viagem costumam usar o senso de urgência. Dizem que, se o cliente não comprar o pacote naquele momento, perderá uma oportunidade única e pagará mais caro depois.

Espaço no carrinho
Os carrinhos de supermercado são grandes para que você tenha a impressão de que está levando poucos produtos, e frutas e verduras ficam expostas em caixas para dar a impressão de que são frescas. As verduras também costumam ficar perto da entrada para que o consumidor escolha os alimentos saudáveis logo e não se importe em encher o resto do carrinho com comida de pior qualidade. "As promoções de supermercado também são simples para ficar mais fácil de calcular o desconto", diz Karen.

Que tal um kit?
"A venda coordenada ou casada é outro truque usado pelos vendedores, principalmente de cosméticos", diz Heloisa. "Os kits contêm um produto que é o objeto de desejo do consumidor, como um perfume, e outros que estão encalhados no estoque. É a chance de fazer o cliente gastar um pouco mais e ainda experimentar um produto novo", diz Heloisa.